Portugal tem 1,6 milhões de imigrantes e mais de um terço são brasileiros
Portugal tinha em 2025 cerca de 1,6 milhões de residentes estrangeiros, o equivalente a 14% da população total. Mais de um terço são brasileiros. Os dados foram hoje divulgados pelo INE e revelam uma transformação demográfica profunda no país desde 2021.
Portugal é hoje um país radicalmente diferente do que era há apenas quatro anos. Os dados das estimativas da população residente em 2025, divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística, confirmam que mais de um terço dos estrangeiros em Portugal são brasileiros: a população de nacionalidade estrangeira foi estimada em 1.597.539 pessoas, representando 14% do total da população residente, das quais 913.249 são homens e 684.290 são mulheres.
Brasileiros lideram com uma folga histórica
A nacionalidade brasileira continua a ser, de longe, a mais representada. Em 2025, o INE estimou 574.195 cidadãos brasileiros a residir em Portugal, correspondendo a 35,9% de toda a população estrangeira. O número mais do que duplicou desde 2021, com um aumento de 296.086 pessoas, o que representa um crescimento de 106,5% em apenas quatro anos.
A segunda nacionalidade mais representada é a angolana, com 103.140 pessoas, um aumento expressivo face às 33.099 de 2021. Seguem-se os indianos (93.683), os cabo-verdianos (76.099), os nepaleses (56.866), os cidadãos do Bangladesh (56.724) e os guineenses (53.555). Completam a lista os ucranianos (53.555), os são-tomenses (47.731), os paquistaneses (39.638), os britânicos (38.640), os italianos (32.784), os franceses (26.549), os chineses (23.439) e os alemães (21.635).
Os crescimentos mais expressivos
Em termos percentuais, os são-tomenses foram o grupo que mais cresceu entre 2021 e 2025, com um aumento de 263%. Seguem-se os cidadãos do Bangladesh (+230%), os paquistaneses (+215%) e os angolanos (+212%), as únicas quatro nacionalidades que triplicaram o seu volume em quatro anos.
Estes números refletem fluxos migratórios de origens diversas, com países de língua portuguesa e do sul asiático a assumir um peso crescente na composição da população imigrante em Portugal. A rota de imigração via Cabo Verde, frequentemente usada com a ilusão de chegar à Europa, continua a ser uma das mais ativas.
Onde vivem os imigrantes
A Grande Lisboa concentra a maior proporção de população estrangeira: 546.419 pessoas, o equivalente a 34,2% de todos os imigrantes residentes em Portugal. A região Norte tem 311.095 estrangeiros, representando 19,5% do total.
Em termos proporcionais, o Algarve destaca-se como a região com maior peso de população estrangeira no total de residentes, com 27,9%, seguido de Lisboa (22,6%) e da Península de Setúbal (18,3%). Os Açores são a região com menor proporção, com apenas 0,6% do total de estrangeiros.
Impacto demográfico
A imigração está a contrariar o envelhecimento da população portuguesa. Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens entre os 0 e os 14 anos diminuiu de 13% para 12,4%, mas a percentagem de pessoas em idade ativa, entre os 15 e os 64 anos, aumentou de 63,7% para 64,3%. O INE atribui este aumento diretamente aos fluxos migratórios recentes, que tendem a concentrar-se nas faixas etárias ativas.
Os dados sublinham que Portugal depende cada vez mais da imigração para sustentar a sua pirâmide demográfica e a sua população ativa, num contexto em que a natalidade nacional continua abaixo dos níveis de substituição.
Um debate que não vai desaparecer
Os números do INE alimentam um debate político que se tem intensificado nos últimos anos. O Chega tem exigido limitação de apoios a imigrantes como condição para viabilizar medidas sociais, enquanto associações de imigrantes denunciam as dificuldades de regularização. A PJ deteve suspeitos de ajudarem a regularizar ilegalmente cerca de quatro mil imigrantes, sinalizando as fragilidades do sistema.
Ao mesmo tempo, uma empreendedora brasileira criou uma plataforma para ajudar imigrantes em Portugal e fez críticas à AIMA, o organismo que tutela a imigração, apontando os obstáculos burocráticos que os recém-chegados enfrentam.
Com 14% da população de nacionalidade estrangeira, Portugal tornou-se um dos países da União Europeia com maior proporção de imigrantes em relação à população total. Os dados do INE mostram que essa tendência não abrandou. Pelo contrário, acelerou.