Todo o país em risco muito elevado de radiação UV: o que fazer até segunda-feira

A radiação UV em Portugal está hoje em risco muito elevado em todos os distritos do continente e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores. O IPMA prevê que a situação se mantenha até segunda-feira, com temperaturas a chegar aos 40 graus em algumas regiões.

Todo o país em risco muito elevado de radiação UV: o que fazer até segunda-feira

A radiação UV em Portugal atingiu hoje o nível de risco muito elevado em todos os distritos do continente e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. A situação deverá manter-se pelo menos até segunda-feira, coincidindo com o pico de calor que o IPMA já tinha previsto para esta semana.

O que significa risco muito elevado

A escala de radiação ultravioleta do IPMA tem cinco níveis, do baixo ao extremo. No nível de risco muito elevado, em que está hoje todo o território nacional, as recomendações incluem o uso de óculos de sol com filtro UV, chapéu, T-shirt, guarda-sol e protetor solar, além de evitar a exposição das crianças ao sol.

Para zonas em risco extremo, a recomendação do IPMA é mais drástica: evitar a exposição ao sol sempre que possível. Em risco elevado, mantêm-se as recomendações de óculos com filtro UV, chapéu, t-shirt e protetor solar, mas sem a urgência dos níveis superiores.

Temperaturas até 40 graus

Portugal continental vai registar temperaturas elevadas até sábado, com máximas entre 30 e 37 graus na maioria do território. Em alguns locais do Alentejo, Ribatejo e vale do rio Douro, os valores podem chegar entre 38 e 40 graus.

Na faixa costeira ocidental, os valores mais elevados de temperatura máxima registam-se precisamente hoje. Na costa sul do Algarve, as temperaturas máximas ficam ligeiramente abaixo dos 30 graus, oferecendo algum alívio relativo.

As noites também não trazem descanso térmico. Estão previstos valores de temperatura mínima de 20 graus, ou ligeiramente superiores, em muitos locais, o que os meteorologistas classificam como noites tropicais, associadas a maior dificuldade em dormir e a impacto acumulado na saúde.

Padrão que se repete e se agrava

Este episódio de calor extremo não é um caso isolado. A onda de calor de maio em Portugal continental já tinha sido a segunda mais longa de sempre, segundo o IPMA. E os dados internacionais confirmam a tendência: as alterações climáticas tornam as ondas de calor em Portugal até 40 vezes mais prováveis, de acordo com um estudo científico recente.

A nível europeu, o panorama é igualmente preocupante. O calor extremo aumentou cerca de dez vezes na Europa entre 2010 e 2024, e as alterações climáticas causadas pelo Homem triplicaram as mortes associadas ao calor. Um estudo recente estimou que o calor devido às alterações do clima causou 16.500 mortes na Europa num único episódio.

A vaga de calor na Europa já tinha mostrado as consequências concretas das alterações climáticas, e os modelos científicos preveem que a Terra vai reter cada vez mais calor nos próximos anos. Mesmo os animais sentem o impacto: as renas finlandesas já foram vítimas do calor extremo em episódios recentes.

A possibilidade de regresso do El Niño em 2026 ameaça ainda novos recordes de calor nos próximos meses.

Sinais de alarme e o que fazer

Reconhecer os sinais de alarme de uma onda de calor pode salvar vidas. Tonturas, dores de cabeça intensas, pele seca e quente, confusão mental ou ausência de transpiração são sinais de alerta que exigem atenção imediata, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas.

O calor excessivo prejudica a saúde de formas que vão muito além do desconforto, afetando o sistema cardiovascular, a qualidade do sono e a capacidade de concentração. Manter-se hidratado, evitar exposição ao sol nas horas de maior intensidade, entre as 11h e as 17h, e procurar locais frescos são medidas básicas, mas eficazes.

Também a alimentação pode ajudar a lidar com o calor. Há alimentos que ajudam o corpo a manter-se fresco e hidratado durante os dias mais quentes, uma escolha simples que faz diferença real no bem-estar diário durante episódios como este.

Com o risco muito elevado de radiação UV a manter-se até segunda-feira e as temperaturas a aproximarem-se dos 40 graus em várias regiões, a recomendação é clara: proteção solar, hidratação e bom senso nas horas de maior calor.

Luís Martins; WiN
Imagem Lusa

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