Uber da Droga Os dois famosos atores portugueses envolvidos no processo

Para além destes dois atores, também um atleta do Sporting foi apanhado em chamadas a pedir “pastilhas”.

O caso que ficou conhecido como o “Uber da Droga” chegou ao fim em tribunal, dá conta o Correio da Manhã. A 28 de maio, o Campus de Justiça em Lisboa leu a sentença contra a rede de tráfico de estupefacientes que operou na Grande Lisboa entre o verão de 2023 e novembro desse mesmo ano, vendendo LSD, MDMA, cocaína, cetamina e 2C-B a uma clientela que incluía atores, desportistas, médicos, engenheiros informáticos e ex-concorrentes de reality shows.

O mentor da operação, Nuno Ricardo Nogueira dos Santos, foi condenado a cinco anos e meio de prisão efetiva. Está detido no Estabelecimento Prisional de Lisboa desde a noite de 28 de novembro de 2023, quando foi apanhado pela PSP à porta de casa com centenas de comprimidos de MDMA, selos de LSD, cocaína, cetamina, 2C-B e materiais de acondicionamento distribuídos por várias divisões da residência.

O seu parceiro, Leonel Nhaga, detido na mesma noite no Marquês de Pombal com cocaína, cetamina e MDMA, foi condenado a quatro anos e meio com pena suspensa. A mãe de Nuno Ricardo, Lucinda Santos, considerada pelo tribunal como responsável por uma das casas de apoio da rede, recebeu quatro anos e três meses também suspensos.

Os nomes conhecidos que surgiram nas escutas

A lista de clientes identificados deu relevo particular ao caso. O ator José Carlos Pereira foi intercetado em chamadas a combinar encontros com Nuno Ricardo. A atriz Marta Gil, ex-concorrente de reality shows, surgiu em pelo menos onze chamadas ao longo de três meses. Negou em tribunal ter comprado droga e disse desconhecer que o “amigo” traficava.

O judoca olímpico Jorge Fonseca, medalha de bronze em Tóquio, pediu “pastilhas” a Leonel Nhaga numa chamada telefónica. O seu advogado explicou que o atleta estava alcoolizado e acabou por não consumir qualquer substância.

O percurso de Nuno Ricardo, descrito no acórdão, vai de consumidor a líder de uma rede organizada, passando por um historial pessoal marcado por violência doméstica, homicídio do pai aos 17 anos e um regresso ao consumo após a pandemia. O tribunal concluiu que, além do lucro, o arguido era movido pelo reconhecimento social que obtinha junto de figuras mediáticas.os seguidores.

Texto: Tomás Cascão; Fotos: Arquivo Impala & Redes sociais

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