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Alcácer do Sal Trauma! Psicóloga fala sobre consequências severas para as crianças abandonadas

A localização da mãe e do padrasto que largaram os dois filhos, de 3 e 5 anos, numa floresta em Alcácer do Sal trouxe alívio, mas o verdadeiro pesadelo dos menores começou agora. A psicóloga Sílvia Botelho analisou o impacto devastador na mente dos irmãos franceses.

Alcácer do Sal Trauma! Psicóloga fala sobre consequências severas para as crianças abandonadas

 

O aparente plano macabro de abandono em Alcácer do Sal  ganhou novos contornos com a captura dos suspeitos. Contudo, muito além das investigações criminais, a preocupação centra-se agora também na saúde mental e no equilíbrio emocional destas duas crianças, que foram enganadas com um suposto jogo de “venda nos olhos” antes de serem deixadas à sua sorte.

Em declarações na CMTV, a psicóloga Sílvia Botelho começou por sublinhar a violência psicológica do ato: “Sim, eu acho que é importantíssimo conhecer aqui o contexto destas crianças que de uma forma foram deixadas ao abandono, de uma forma estavam muito sofridos, estavam a chorar, estavam em pânico e em medo. Portanto é profundamente traumatizante para crianças que estão a ter a idade de 3 e 5 anos ficarem abandonadas no meio do mato, temeram também pela vida, não viram um elemento de segurança no qual eles possam sentir-se em segurança.”

Memórias de horror que não vão desaparecer

Muitas vezes pressupõe-se que a tenra idade pode funcionar como um escudo contra as recordações mais dolorosas. Uma teoria que a especialista desmistifica por completo: “Isto pode inclusive traumatizá-los para o resto da vida. Portanto apesar de terem esta idade de 3 e 5 anos não significa que o evento demasiado traumático e demasiado intenso do ponto de vista emocional (…)  Uma criança com 5 anos tem perfeitamente memória do que acontece.”

A psicóloga explicou ainda que, mesmo que o cérebro tente bloquear a dor, o passado acabará por bater à porta: “Nós, nomeadamente os adultos, não nos lembramos muito de quando éramos crianças mas normalmente na idade de 5, 6, 4, se for um impacto muito grande do ponto de vista emocional nós acabamos por nos relembrar. Às vezes o cérebro, como o mecanismo de defesa, faz-nos esquecer…”, disse, explicando que essas memórias poderão voltar mais tarde na vida dos meninos.

Pesadelos, pavor e o fantasma da rejeição nos próximos tempos

De acordo com Sílvia Botelho, a quebra abrupta de confiança na figura materna trará, provavelmente, consequências imediatas para o dia a dia dos menores. “Do ponto de vista do presente, dos próximos tempos é natural que estas crianças também fiquem muito traumatizadas do ponto de vista da segurança, da proteção. É possível que ocorram alguns sinais e sintomas, nomeadamente dificuldades em adormecer dificuldades em estabelecer um equilíbrio do ponto de vista emocional, podem ficar com muito medo, com muito pavor, com muitos pesadelos com muita ansiedade e muito stress até que se sintam novamente seguros. Perder aqui, de facto, uma pessoa que é importante na vida deles é aqui um impacto enorme do ponto de vista psicológico.”

Texto: Tiago Miguel Simões; Fotos: Unsplash

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