Direita espanhola vence eleições na Andaluzia com maioria absoluta – sondagem
O Partido Popular espanhol (PP, direita) venceu hoje, com maioria absoluta, as eleições regionais na Andaluzia, onde o Partido Socialista (PSOE, no poder) teve o pior resultado de sempre, indicou uma sondagem.
A sondagem, divulgada pelo canal autonómico de televisão pública Canal Sur, depois do fecho da maioria das assembleias de voto, às 20:00 (19:00 em Lisboa), estimou que o PP teve perto de 45% dos votos e vai eleger entre 56 e 59 deputados (são necessários 55 para uma maioria absoluta).
Se se confirmar esta estimativa, o PP volta a ter uma maioria absoluta na Andaluzia, região que foi o maior bastião dos socialistas espanhóis até 2018.
Nas eleições anteriores, em 2022, o PP alcançou uma maioria absoluta inédita na Andaluzia, ao eleger 58 deputados, numa candidatura encabeçada por Juan Manuel Moreno (conhecido como Juanma Moreno), que preside ao governo autonómico desde janeiro de 2019 e voltou a candidatar-se este ano.
De acordo com a mesma sondagem, divulgada pelo Canal Sur, o PSOE, do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, foi o segundo partido mais votado, mas com o pior resultado de sempre na Andaluzia: 22,5% e entre 26 e 29 deputados.
Em 2022, o PSOE teve 24% dos votos e conseguiu 30 deputados do parlamento regional.
A candidatura do PSOE foi encabeçada por Maria Jesus Montero, ministra das Finanças de Pedro Sánchez entre 2018 e este ano. Era também a vice de Sánchez no Governo e continua a ser a “número dois” na direção nacional do PSOE.
O Vox, de extrema-direita, foi o terceiro partido mais votado, com 13,2% e entre 13 e 15 deputados, num resultado semelhante ao de há quatro anos, segundo a mesma sondagem.
O estudo do Canal Sur prevê ainda a eleição de deputados por outras duas forças de esquerda: Pela Andaluzia (“Por Andalucía”, no original em castelhano) e Em Frente Andaluzia (“Adelante Andalucia”).
Pela Andaluzia poderá eleger entre cinco a seis deputados (tem atualmente cinco) e Em Frente Andaluzia poderá passar a ter entre quatro e cinco (tem agora dois).
Estas foram as quartas eleições autonómicas em Espanha em menos de cinco meses, depois das da Extremadura, no final de dezembro, das de Aragão, em fevereiro, e das de Castela e Leão, em abril.
O PP venceu todas as três eleições anteriores, mas sem maioria absoluta, e a viabilização dos três governos regionais ficou nas mãos do Vox, de extrema-direita.
As negociações entre os dois partidos deram já lugar a acordos na Extremadura e em Aragão, ao abrigo dos quais a extrema-direita voltou a entrar em dois governos em Espanha.
Juanma Moreno, de perfil conservador moderado, foi um dos “barões” do PP, partido que lidera a oposição nacional em Espanha, a criticar os acordos assinados com a extrema-direita na Extremadura e Aragão, por estabelecerem, entre outros aspetos, um princípio de “prioridade nacional” no acesso a serviços e apoios públicos, alinhado com o discurso anti-imigração do Vox.
A Andaluzia ficou na história política recente de Espanha por ter sido nesta região que a extrema-direita (o Vox) entrou pela primeira vez num parlamento, na sequência das eleições de 2018.
Com 8,7 milhões de habitantes, a Andaluzia, com fronteira com Portugal (com o Algarve e o Alentejo), é a região autónoma com mais população De Espanha.
MP // EJ
By Impala News / Lusa