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Novo surto num navio de cruzeiro: uma morte e 50 doentes suspeitos de norovírus

Norovírus suspeito de causar surto num navio da Ambassador Cruise Line fundeado em Bordéus. Uma pessoa de 90 anos morreu e cerca de 50 passageiros apresentam sintomas.

Novo surto num navio de cruzeiro: uma morte e 50 doentes suspeitos de norovírus

Novo alerta sanitário num navio de cruzeiro. Desta vez, o suspeito é o norovírus e o cenário é em Bordéus, no estuário do rio Gironda, em França, onde o navio da Ambassador Cruise Line está fundeado com 1.233 passageiros e 514 tripulantes a bordo, segundo a agência France-Presse (AFP), citada pela Lusa.

Uma pessoa de 90 anos morreu e cerca de 50 passageiros apresentam sintomas. As autoridades de saúde francesas confirmaram que estão em curso análises para detetar a possível presença de norovírus a bordo.

O navio partiu das Ilhas Shetland, ao largo da costa da Escócia, em 6 de maio, e fez escala em Belfast, na Irlanda do Norte, Liverpool, em Inglaterra, e Brest, no oeste de França, antes de chegar a Bordéus, de onde deveria partir para Espanha.

Norovírus: o vírus que adora navios

O norovírus – popularmente conhecido como o ‘vírus do vómito’ – é a infeção mais frequentemente associada a navios de cruzeiro. Altamente contagioso, propaga-se com facilidade através de alimentos e superfícies contaminadas, bem como pelo contacto direto entre pessoas.

Ao contrário do hantavírus, que assombrou o mundo com o surto do MV Hondius nas últimas semanas, o norovírus não é uma doença grave para a maioria das pessoas saudáveis. Os sintomas – náuseas, vómitos, diarreia e cólicas abdominais – surgem entre 12 a 48 horas após a exposição e desaparecem habitualmente em um a três dias.

No entanto, em pessoas idosas ou com saúde fragilizada, pode ser perigoso. A desidratação provocada pela diarreia e pelos vómitos pode agravar-se rapidamente e requerer assistência médica urgente.

Por que os navios são tão vulneráveis

Os cruzeiros são, por natureza, ambientes propícios à propagação de doenças. Milhares de pessoas partilham restaurantes, elevadores, corredores, teatros e espaços de lazer durante vários dias consecutivos. Os tripulantes vivem e trabalham no mesmo ambiente fechado, o que facilita ainda mais a transmissão.

O norovírus prospera precisamente neste tipo de ambiente. Uma revisão de estudos identificou 127 surtos de norovírus documentados em navios de cruzeiro, a maioria associada a alimentos contaminados ou transmissão de pessoa para pessoa.

O que é o norovírus e como se previne

A melhor prevenção passa pela lavagem frequente das mãos com água e sabão, uma vez que o álcool em gel não é tão eficaz contra o norovírus. Quem desenvolver sintomas deve evitar buffets e espaços comuns e reportar de imediato o estado de saúde à equipa médica do navio.

Não existe vacina nem tratamento específico para o norovírus. O tratamento é de suporte, centrado na hidratação para compensar os líquidos perdidos. A DGS disponibiliza informação atualizada sobre doenças infecciosas e alertas de saúde pública.

Segundo surto em navios em menos de duas semanas

Este incidente surge menos de duas semanas após o surto de hantavírus no MV Hondius, que fez três mortos e levou à maior operação de repatriamento de passageiros da história recente, com base em Tenerife. A DGS publicou entretanto orientações para casos suspeitos em Portugal.

Os dois surtos, embora causados por agentes muito diferentes, reacendem o debate sobre as condições sanitárias a bordo dos grandes navios de cruzeiro e a capacidade de resposta das suas instalações médicas, concebidas para cuidados básicos e não para gerir surtos de larga escala.

Luís Martins; WiN
Imagem redes sociais

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