Esquadra do Rato: juiz decide hoje o destino dos 14 polícias detidos
Nesta segunda-feira o juiz decide o destino dos 14 polícias detidos no caso de alegada tortura e violações na esquadra do Rato, em Lisboa.
O juiz de instrução criminal vai anunciar nesta manhã as medidas de coação para os 14 polícias detidos no caso da esquadra do Rato. O Ministério Público já tomou posição: quer prisão preventiva para quatro arguidos – entre eles um chefe da PSP –, prisão domiciliária para três e suspensão de funções para os restantes.
Como chegou a investigação da esquadra do Rato até aqui
O processo tem raízes em 2024 e 2025. Alegadas torturas e violações a pessoas vulneráveis – toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros – terão ocorrido dentro das esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa.
Os primeiros sinais públicos surgiram quando dois agentes da PSP foram detidos nas primeiras buscas a esquadras por suspeitas de tortura. Alguns dos crimes foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes.
O caso escalou rapidamente. O Tribunal Central de Instrução Criminal mandou julgar os primeiros dois polícias acusados de tortura e violação, abrindo caminho para uma investigação cada vez mais ampla.
Em março de 2026, mais sete polícias foram detidos. O Ministério da Administração Interna acompanhou o processo com preocupação crescente e o próprio ministro antecipou publicamente mais detenções.
Nesta semana, o caso atingiu uma nova dimensão. Foram emitidos mais 16 mandados de detenção e realizadas 30 buscas – 14 domiciliárias e 16 em esquadras. Entre os detidos contam-se dois chefes da PSP e 13 agentes, elevando para 24 o número total de elementos da PSP envolvidos no processo.
Das novas detenções, 13 dos 15 polícias são suspeitos de tortura. Os crimes investigados incluem tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas. Um dos detidos foi entretanto libertado após pedido de habeas corpus.
O sindicato dos oficiais da PSP classificou o caso como inédito e perturbador, apontando a falta de chefias intermédias como um dos fatores que terá contribuído para o ambiente que tornou possíveis estes alegados crimes.
Fuga de informação dentro da própria PSP
Segundo a CNN Portugal, pelo menos um colega da PSP ligado à investigação terá avisado os suspeitos de que estavam sob vigilância e que buscas estavam iminentes. Isso terá permitido a alguns preparar a defesa, dissimular eventuais provas e, segundo a mesma fonte, apresentar baixa médica antes do dia da operação.
Nos telemóveis apreendidos, os investigadores encontraram novos vídeos dos abusos e mensagens que confirmam a fuga de informação. Este segundo processo deverá correr em separado.
Decisão esperada para esta manhã
Os interrogatórios aos 14 polícias terminaram na sexta-feira. Os arguidos ouviram depois as alegações do MP e dos advogados ao longo do sábado. A decisão estava prevista para esse dia, mas foi adiada para esta segunda-feira de manhã.
A defesa argumentou que os clientes foram chamados a intervir em situações de violência doméstica e que “usaram da força para manietar agressores violentos”.
O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, garantiu que a instituição tem “tolerância zero” perante este tipo de alegações e que “a justiça é feita”.