Lula da Silva afirma que assuntos que pareciam tabus foram discutidos com Trump
O Presidente brasileiro Lula da Silva, afirmou hoje, que discutiu com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, temas que pareciam tabus e mencionou o crime organizado.
O líder de esquerda disse que o Brasil está disposto a construir um “grupo forte” de combate ao crime organizado com todos os paises da América Latina, e criticou o que chamou de “hegemonia” de um país sobre o outro.
“Eu falei ao Presidente Trump: ‘muitas vezes, os Estados Unidos falavam em combater o crime organizado, a questão das drogas, tentando ter base militar dento dos outros países'”, declarou em conferência de imprensa em Washington.
“Quando na verdade, para você fazer com que os outros paises deixem de plantar e fabricar o que a chama de drogas, é preciso criar alternativa econômicas pra estes países (…) Nós temos que incentivar a plantar a outras coisas e comprar”, sublinhou.
O chefe do Executivo do Brasil afirmou ainda que “parte das armas que chegam no Brasil saem dos Estados Unidos” e que existe lavagem de dinheiro feitas nos EUA.
“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo sobre qualquer assunto. Não tem assunto proibido. A única coisa que não vamos abrir mão é da nossa democracia e da nossa soberania”, declarou.
O chefe do Executivo do Brasil e os cinco ministros que o acompanharam em Washington elogiaram a todo o tempo o encontro, avaliando a todo momento como positivo a reunião de três horas na Casa Branca.
As autoridades brasileiras e norte-americana discutiram comércio bilateral, tarifas impostas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros, cooperação transnacional no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro, e sobre os minerais críticos e terras raras.
Lula da Silva declarou ainda que saiu muito satisfeito da reunião e disse que aconselhou o presidente Trump a sorrir, e que a reunião demorou porque os dois estavam gostando.
“Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática e histórica que o Brasil têm com os Estados Unidos”, declarou Lula em conferência de imprensa.
“É importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas no Brasil. Eu disse para ele [Trump] que as vezes fazemos licitações internacionais sobre construção de rodovias, e os EUA não participa. E quem participa são os Chineses”, declarou.
Questionado, Lula da Silva respondeu ainda que não foi discutido a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Atualmente, a Casa Branca avalia classificar o PCC e CV como organizações terroristas, o que incomoda o Palácio do Planalto, que teme a interferência da Casa Branca sobre a soberania do Brasil.
Lula da Silva disse ainda que o PIX, modelo de transferência bancária muito popular no Brasil, desenvolvida pelo Banco Central do Brasil, não entrou na discussão na Casa Branca.
“Eu até trouxe o Dario Durigan [ministro da Fazenda) para a reunião. Como o Trump não perguntou do Pix, eu também não falei. E eu espero que um dia o Trump faça um PIX”, brincou.
Logo após o término do encontro, Trump usou as suas redes sociais para elogiar o político brasileiro ao chamá-lo de “muito dinâmico” e dizer que a reunião entre os dois correu bem.
“Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas”, escreveu Trump.
“A reunião foi muito boa. Nossos representantes devem se reunir para tratar de alguns pontos-chave. Novos encontros serão marcados nos próximos meses, conforme necessário”, diz o texto.
Lula da Silva dembarcou em Washington na noite de quarta-feira acompanhado dos ministros de Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Fazenda, Dario Durigan, de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias.
Completam a comitiva ainda o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, além do chefe da Polícia Federal brasileira, Andrei Rodrigues.
O encontro entre os dois líderes das duas maiores democracias do ocidente acontece após um ano tenso da política de tarifas dos EUA sobre o Brasil e atritos diplomáticos entre os dois países.
Na programação, os presidentes tiveram uma reunião bilateral no Salão Oval na Casa Branca e, na sequência, um almoço de trabalho.
Tanto Trump quanto Lula da Silva postaram fotos do encontro nas redes sociais, o que afastou a possibilidade de encontro tenso entre os chefes dos dois países.
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By Impala News / Lusa