Empresários moçambicanos apontam impactos “nefastos” devido à crise de combustíveis
Empresários moçambicanos consideraram hoje “nefastos” os impactos da crise dos combustíveis ao limitar a mobilidade de funcionários e bens para o funcionamento das empresas, pedindo explicações sobre a escassez generalizada nos postos de abastecimento.
“A falta de combustível cria transtornos, mas também estamos a começar a ter escassez de mobilidade de pessoas e bens e para a chegada de matéria-prima das empresas, para a chegada de funcionários. E sem estes bens, sem estas pessoas na empresa, não é possível funcionar”, disse o vice-presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Onório Manuel, na abertura da 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique, em Maputo.
Há várias semanas que Moçambique enfrenta dificuldades no abastecimento de combustíveis, com postos encerrados por todo o país e filas generalizadas, bem como limites na compra de gasóleo ou gasolina e redução na oferta de transportes, na sequência do conflito no Médio Oriente.
O responsável da CTA recordou hoje que várias empresas no país usam combustível não só para mobilidade, como para colocar as máquinas em funcionamento, adiantando estar em curso o diálogo com as autoridades moçambicanas para compreender os motivos da crise de abastecimento.
“Nós estamos a fazer contacto e percebemos que há combustível no país. A questão fundamental que se tem de se esclarecer é porque é que os combustíveis não estão a chegar às bombas? Essa é a questão que nós também, como setor privado, não entendemos”, referiu o dirigente da CTA, alertando para os prejuízos das empresas caso a crise se acentue.
Em relação à possibilidade admitida esta semana pelo Governo de subsidiar o transporte público, para fazer face à crise, Onório Manuel considerou que a execução da medida constitui um desafio para o país, tendo em conta a viabilização da logística das empresas.
“Este é que é o grande desafio que nós temos como país. Nós achamos que as variáveis de mercados devem determinar o preço, para dizer que não é necessariamente subsidiar, mas sim é encontrar mecanismos para que façamos uma interligação dos vários setores para ver equilíbrios, esta que é a nossa forma de ver”, acrescentou o vice-presidente da CTA, defendendo um preço competitivo de energia na região que se reflita no setor empresarial moçambicano para evitar o agravamento de preços.
Ainda na abertura da conferência, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, apontou “distúrbios” no circuito de distribuição de combustível que justifica a crise no abastecimento, recordando ter sido destacada uma equipa para verificar o que está a acontecer e tomar as devidas providências para que a situação não se agrave.
O governante reconheceu ainda o impacto da escassez de combustível, que se reflete no consumidor final, nas bombas que “ficam secas e que carecem depois de abastecimento”.
“Temos de alertar toda a população no sentido de se há deslocações que não são necessárias, então temos que estar todos a tomar medidas para que possamos enfrentar esta situação que nós não sabemos por quanto tempo vai manter-se”, apelou o ministro dos Recursos Minerais e Energia.
O ministro da Economia, Basílio Muhate, apontou esta semana, no parlamento, uma afluência “anormal” aos postos de combustíveis, sobretudo com falta de gasóleo, com vendas que quase duplicaram, além dos baixos preços praticados no país face aos da região, o que incentiva o aumento do consumo.
O Governo já admitiu que é inevitável o aumento dos preços dos combustíveis, face aos impactos no abastecimento provocados pelo conflito no Médio Oriente.
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By Impala News / Lusa