Maddie As 5 crianças e jovens que desapareceram em Portugal

Vai fazer 19 anos que o desaparecimento da menina britânica causou alvoroço em Portugal e no mundo. Envolto em mistério, continua a reacender esperança e dúvidas a cada nova referência ou pista. Mas há mais famílias que ainda acreditam que um dia vão voltar a ver os seus “meninos” ou, pelo menos, saber o que lhes aconteceu.

Quase 20 anos depois, ninguém esquece a pequena Maddie. A menina britânica que desapareceu no dia 3 de maio de 2007 do quarto do hotel Ocean Club, na praia da Luz, em Lagos, no Algarve, onde passava férias com os pais e os irmãos gémeos, continua a fazer manchete de jornais e revistas a cada nova referência ou pista.

Os pais nunca desistiram de a procurar, ainda que tivessem estado debaixo da mira de muitos como sendo eles os responsáveis. Apesar das muitas investigações das autoridades portuguesas, britânicas e não só, o mistério permanece. Depois da suspeita de que tinha sido raptada e vendida a uma rede de pedofilia, os investigadores alemães garantiram que o violador alemão Christian Brückner seria o responsável pelo desaparecimento de Maddie.

No entanto, o homem – que esteve preso devido a outras acusações de violação, inclusive ocorridas em Portugal – ficou ilibado deste processo por falta de provas e até já foi libertado. Mais recentemente, ganhou força o rumor de que o nome da criança inglesa (assim como o processo Casa Pia) surgia nos ficheiros do predador sexual Jeffrey Epstein. Não se sabe se as autoridades norte-americanas terão investigado esta possível ligação.

Maddie foi, sem dúvida, um dos desaparecimentos mais mediáticos ocorridos no nosso país, mas há mais casos, alguns mais discretos do que os outros, que deixaram as famílias a viver numa espécie de limbo desde que num piscar de olhos deixaram de ver os seus “meninos”. Todos eles dariam tudo o que têm e o que não têm para saber o que lhes aconteceu. As fotografias de alguns deles continuam no site da Polícia Judiciária. 

Rui Pedro

Rui Pedro dispensa apresentações. Toda a gente lhe conhece o nome e o rosto. Desapareceu a 4 de março de 1998, aos 11 anos, enquanto andava de bicicleta, perto do local de trabalho da mãe. A bicicleta apareceu pouco depois do alerta e começaram as buscas. Mas nem sinal da criança.

A mãe, cuja imagem não desaparece da mente dos portugueses, tal é o desgaste pela busca do filho, sempre apontou o dedo ao amigo da família Afonso Dias pelo desaparecimento do filho. Mas este sempre negou qualquer envolvimento. No entanto, acabou detido e chegou a cumprir uma pena de três anos por rapto.

Na altura, os desembargadores deram como provado que Afonso Dias levou Rui Pedro a Alcina Dias, uma prostituta, cujo depoimento foi alegadamente desvalorizado em Lousada. O camionista acabou absolvido das outras acusações por falta de provas.

Ainda antes de Rui Pedro desaparecer, a 28 de janeiro de 1990, um outro rapaz, de 17 anos, deixou de ser visto na zona da praia de São Torpes, em Setúbal. Hélder Alexandre Cavaco era praticante de surf, vestia calças e blusão de ganga azul na altura em que desapareceu. A última pessoa a vê-lo foi o dono de um restaurante local, que lhe deu boleia até perto da praia. Apesar das investigações, nunca mais se soube nada.

Sofia Oliveira

Sofia Oliveira tinha apenas dois anos quando desapareceu de Câmara de Lobos, cidade da ilha da Madeira, a 22 de fevereiro de 2004. A menina foi tirada à mãe pelo pai, que apanhou um táxi e, depois, boleia de um familiar, tendo sido deixado com a filha no Caniço de Baixo, a cerca de 25 quilómetros.

Nesse dia à noite, o homem foi à esquadra onde estava a mãe a participar o desaparecimento da criança, sozinho. Nunca revelou o que fez com a filha e muitos apontaram-lhe o dedo como tendo dado a menina a um veleiro que passava pela Madeira. Durante o julgamento, não falou.

Foi condenado, em 2005, a nove anos de prisão pelos crimes de sequestro, coação e subtração de menor. Mais tarde, no recurso, a pena seria reduzida para seis anos e cinco meses. Em 2013, quando já estava em liberdade condicional, deu uma entrevista ao agora Nascer do Sol e garantiu que a filha “está bem” e que “nem sob tortura revela o que quer que seja”.

Cláudia Sousa

Cláudia Alexandra Silva e Sousa, conhecida como “Carricinha”, é outro caso que continua por resolver. Natural de Oleiros, concelho de Vila Verde, Castelo Branco, desapareceu no dia 13 de maio de 1994, quando tinha apenas sete anos.

De acordo com informações da época, nesse dia Cláudia estaria na escola e terá sido mandada ir a casa buscar sacos de plástico, algo que seria frequente, uma vez que a mãe era tecedeira e tinha sacos disponíveis. Nunca mais voltou ao estabelecimento de ensino.

Uma vizinha diz que viu um carro suspeito com dois homens e uma criança no banco de trás, a gritar. Outra moradora terá visto Cláudia a correr e, depois, ouvido portas de automóvel a bater. Nada foi comprovado até aos dias de hoje.

Rui Pereira

Rui Pereira é outro dos menores cuja imagem nos entrou casa adentro durante muito tempo. O rapaz de 13 anos desapareceu em Lameiras, Vila Nova de Famalicão, na tarde de 2 de março de 1999. Foi para a escola e depois deixou a pasta em casa e foi brincar.

Algumas testemunhas garantem que Rui entrou num carro com um homem que parecia conhecer. Nunca mais foi visto, até que, em 2007, a família recebeu informações de que o rapaz estaria em Lugano, na Suíça. Nunca foi confirmado. Recentemente, surgiram relatos anónimos e suspeitas de que o seu desaparecimento estaria envolvido com uma rede de pedofilia.

Texto: NEUZA GOMES; Fotos: D.R. e Arquivo Impala

 

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