Fátima Lopes Fala sobre a sua vida longe dos programas diários em televisão: “Às vezes sabe bem sentir-me anónima”

Numa altura em que se prepara para completar 57 anos, a 13 de maio, a apresentadora lançou um novo romance e não tem dúvidas de que é hoje uma mulher mais feliz do que era aos 20 anos. “Quando era jovem, sabia muito pouco da vida”, reconhece, assumindo que gosta muito mais de si hoje do que quando era mais nova.

Fátima Lopes Fala sobre a sua vida longe dos programas diários em televisão:

O seu novo livro aborda um tema que ainda é tabu: a diferença de idades num casal. O que é que a motivou a escrever?

Motivou-me o facto de ainda haver bastante preconceito e, além do mais, gosto que os meus livros não sejam vazios, que tenham sempre um tema bastante forte. É esse o meu motor para criar a história. Nunca tinha escrito sobre a questão da diferença de idades, principalmente entre uma mulher e um homem mais novo, e achei que fazia sentido. Obviamente que pesquisei para perceber se havia algum interesse pelo tema e percebi que sim.

Diz que se inspira em histórias que vai ouvindo. Mas há também alguma coisa de autobiográfico?

Fazem-me essa pergunta desde o primeiro livro. E, se fosse autobiográfico, eu já tinha tido 12 vidas, porque eu tenho 12 livros [risos]. Não tenho a experiência de ter uma relação com uma pessoa 20 anos mais nova, não faço ideia como seja.

Mas na questão do divórcio após os 50 anos, o medo de começar um novo relacionamento…

Não é interessante para mim. No dia em que quiser escrever a minha biografia, eu digo. Os meus livros não são, nem pretendem ser, a minha história. Eu acho que é muito mais interessante criar uma história de raiz, inspirada nas pessoas, nos temas e nas vivências com quem me vou cruzando. Imaginá-las desde raiz, dar-lhes vida, corpo, alma e cor. E, a partir daí, pô-las a viver determinadas situações. Para mim, isso é mais estimulante do que pegar em fragmentos da minha vida. Não é o meu propósito como escritora.

Nunca lhe passou pela cabeça contar a sua história?

Não. Pelo menos para já, não faz muito sentido. As pessoas vão-me acompanhando e a minha vida não tem nada de extraordinário, no sentido em que não é cheia de episódios que possam interessar muitíssimo às pessoas. Além de que, estando eu no ativo, não me faz sentido partilhar mais do que o que já partilhei até agora. É a minha fronteira de conforto, que é muito importante para a minha sanidade mental.

Há dois anos, numa entrevista à NOVA GENTE, mostrou-se extremamente feliz e leve desde a saída dos programas diários. Continua a sentir-se assim?

Eu sinto-me muito realizada com tudo o que a vida me proporcionou até agora. Estou a celebrar muitas coisas, porque gosto de olhar para a vida assim. O facto de ter uma família equilibrada e feliz, de ser uma pessoa capaz de amar e que também é amada, de ter cá os meus pais, de ter um trabalho que adoro e de continuar a ter sucesso naquilo que faço. Por isso, olhando para estes fatores todos, pergunto: “Há razão para não sorrir ou para estar pesada?” Acho que não, só se eu fosse pouco grata com a vida, e acho que sou bastante grata.

O facto de ser muito religiosa também ajuda a ter confiança no futuro?

A forma como fui educada, em termos católicos, fez com que a religião não fosse uma coisa pesada, nem associada a castigo. A minha fé dá força e coragem aos meus passos e ajuda-me nas minhas escolhas. Por isso, torna-me mais forte enquanto pessoa, mais capaz, mais resiliente e também, de uma forma muito humilde, faz com que me avalie diariamente e veja onde é que posso melhorar. Não faço diferenças entre as pessoas, nem pela religião, pelas idades ou pela orientação sexual. Há uma única diferença que faço, que é entre as boas e as más pessoas.

É assim que seleciona quem tem à sua volta?

As boas pessoas quero-as na minha vida, as más dispenso-as. Não as prejudico, simplesmente afasto-me do caminho delas. Foi assim que a minha mãe me ensinou: quando alguma pessoa não está alinhada comigo, a única coisa que faço é virar para o meu caminho e deixar que ela siga o seu.

Nesse sentido, há quem diga que não se fazem amigos na televisão. É possível?

Claro que é possível, eu tenho bons amigos feitos no mundo da televisão e no meio artístico. Não vamos pegar numa experiência menos boa de alguém e generalizar. Nós, que trabalhamos na televisão, não somos um bando de malfeitores. Na área artística existem boas e más pessoas, como fora dela. Alguns dos meus melhores amigos são figuras públicas. Não tenho muitos, sou uma pessoa muito seletiva, tenho alguns, mas são bons amigos. A televisão permitiu-me conhecer essas pessoas, ganhar intimidade com elas, fazer parte das suas vidas e famílias, como fazem da minha.

 

Leia a entrevista na íntegra e veja todas as fotos na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Helena Morais; Prod: Zita Lopes; Maquilhagem: Carmela Montero

AGRADECIMENTOS: VILA GALÉ COLLECTION PALÁCIO DOS ARCOS: vilagale.com (PUBLICAR LOGO EM ANEXO), INEDIT DESIGN: ineditdesign.com, SEASIDE: seaside.pt

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