Rui Costa no VAR: O escrutínio ao videoárbitro no Sporting-Benfica de 19 de Abril
Rui Costa (AF Porto) é o VAR do Sporting-Benfica. Analisamos as polémicas e o impacto desta nomeação no dérbi de 19 de abril.
A nomeação de Rui Costa para o VAR ao dérbi para o decisivo encontro entre Sporting e Benfica coloca o foco numa das figuras mais contestadas da arbitragem nacional. O juiz da Associação de Futebol do Porto, que terá a responsabilidade de auxiliar João Pinheiro a partir da Cidade do Futebol, chega a este clássico sob o peso de avaliações negativas e uma tendência de “não intervenção” que tem gerado desconforto entre os principais candidatos ao título. Com o campeonato em fase crítica, a capacidade de Rui Costa em identificar erros “claros e óbvios” será o fiel da balança em Alvalade.
O caso Omorodion e a punição do Conselho de Arbitragem
O episódio mais gravoso no currículo recente de Rui Costa ocorreu em março de 2026, durante o embate entre o FC Porto e o Arouca. Na qualidade de videoárbitro, Costa validou uma grande penalidade inexistente sobre Samu Omorodion, num lance onde as imagens de alta definição provaram a ausência de qualquer contacto físico.
A passividade perante a simulação clara do avançado levou a uma punição interna aplicada pelo Conselho de Arbitragem (CA). Este erro, que influenciou diretamente o resultado, cimentou a imagem de um VAR que evita contradizer a decisão de campo, mesmo quando esta fere a verdade desportiva. Para o dérbi deste domingo, este precedente levanta dúvidas sobre a sua eficácia perante potenciais simulações na área.
Dualidade de critérios em jogos de alta tensão
A atuação de Rui Costa no VAR tem sido marcada por uma interpretação rígida, e por vezes inconsistente, do limiar de intervenção. No dérbi de dezembro de 2025, a sua gestão foi duramente criticada.
- • Gestão Disciplinar: Rui Costa interveio para a expulsão de Prestianni, mas manteve o silêncio num lance de agressividade semelhante protagonizado por Hjulmand.
- • Intervenção: Analistas apontam que o árbitro da AF Porto tem dificuldade em manter o critério quando o jogo atinge picos de intensidade física, deixando agressões sem sanção.
- Omissão em Penáltis: No encontro Aves SAD vs. Benfica, a sua recusa em sinalizar um toque evidente no joelho de Ivanovic foi classificada como falha técnica grave, uma vez que o VAR não pode abdicar da revisão em lances de impacto direto no marcador.
A relação com João Pinheiro: Uma dupla sob pressão
A articulação entre João Pinheiro, conhecido pelo seu estilo impulsivo, e Rui Costa, caracterizado pela omissão, é vista como risco tático para a paz do jogo. A filosofia de Rui Costa, que segue à risca o estigma do “erro claro e óbvio”, acaba por retirar a rede de segurança ao árbitro de campo. Em Alvalade, onde cada contacto será protestado, a hesitação do VAR pode exacerbar os ânimos nas bancadas e nos bancos de suplentes.
A confiança dos clubes nesta dupla é mínima. O historial de Rui Costa sugere que lances ‘cinzentos’ – habitualmente decisivos nestas partidas – dificilmente serão analisados, o que beneficia as equipas que privilegiam um jogo mais físico e no limite do regulamento. No domingo, a tecnologia estará nas mãos de um juiz que, até agora, tem preferido o silêncio à correção factual.