O maior cocó humano fossilizado é ‘tesouro’ biológico e está em exposição

Conheça o maior cocó humano da história: o Coprólito de Lloyd’s Bank. Um fóssil Viking de 20cm com valor científico incalculável em 2026.

O maior cocó humano fossilizado é'tesouro' biológico e está em exposição

A arqueologia costuma deslumbrar-nos com coroas de ouro ou barcos imponentes, mas em pleno abril de 2026, um dos objetos que mais filas gera em York é, tecnicamente, o maior cocó humano alguma vez registado. Batizado como Coprólito de Lloyd’s Bank, este artefacto não é apenas uma curiosidade bizarra; é uma janela aberta para a intimidade biológica de um viking que viveu há mais de mil anos.

Recentemente, as celebrações culturais de 2026 voltaram a colocar esta peça sob os holofotes. Graças aos avanços na paleoproteómica – técnica que analisa proteínas antigas –, os cientistas do York Archaeology conseguem agora ler este fóssil com precisão quase microscópica, revelando segredos que estiveram enterrados durante séculos.

Descoberta ‘gigante’ debaixo de um Banco

Tudo começou em 1972. Durante escavações na Rua Pavement, onde se planeava construir uma agência bancária, os arqueólogos depararam-se com algo inesperado. Preservado pelo solo húmido e sem oxigénio da região, o exemplar de 20 centímetros de comprimento e 5 de largura sobreviveu intacto à passagem do tempo.

Andrew Jones, o paleoscatologista que dedicou grande parte da carreira a estudá-lo, não conteve o entusiasmo ao afirmar que este é “o excremento mais fascinante” que já viu. Para ele, e para a Ciência, esta amostra é tão insubstituível como as próprias Joias da Coroa Britânica. Afinal, a beleza está nos olhos de quem vê a informação que ela contém.

O retrato cru da vida Viking: Dieta e doenças

Longe do glamour dos guerreiros invencíveis, o maior cocó humano pinta um quadro bastante mais humano e sofrido. As análises laboratoriais mostram-nos um homem que lidava com desafios constantes no seu dia a dia.

  • • Parasitas implacáveis: O espécime estava carregado com centenas de ovos de lombrigas (Ascaris lumbricoides) e de tricocéfalos (Trichuris trichiura).
    • Dores constantes: A quantidade de parasitas indica que este Viking sofria de dores de barriga constantes e dificuldades em absorver nutrientes.
    • Menu limitado: A sua dieta baseava-se quase exclusivamente em carne e pães feitos de cereais grosseiros. Curiosamente, quase não se encontraram vestígios de fruta ou vegetais, o que ajuda a explicar o estado precário da sua saúde intestinal.

O susto de 2003 e a vida em 2026

Nem tudo foi fácil para este fóssil. Em 2003, durante uma exibição, a peça caiu e partiu-se em três. Foi necessário um trabalho minucioso de restauração com resinas especiais para salvar o artefacto. Hoje, em 2026, o Jorvik Viking Centre garante que o objeto está mais estável do que nunca, continuando a ser a estrela improvável do museu.

Afinal, o maior cocó humano faz algo que as espadas não conseguem: humaniza os nossos antepassados. Recorda-nos de que, por trás das lendas de conquistas, existiam pessoas de carne e osso, com problemas de saúde comuns e vida quotidiana difícil. É a História na sua forma mais pura – e visceral.

Luís Martins; WiN
Imagens Jorvik Viking Centre

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