Goucha Faz revelação sobre a mãe: “Pensou em suicidar-se connosco”

Entre confissões sobre a infância, família e depressão, o apresentador mostrou um lado mais íntimo e vulnerável.

Manuel Luís Goucha, no podcast Vencidos, de Luís Osório, falou sobre a sua família e a carta que a mãe lhe deixou e que ele leu apenas após a sua morte.

A história familiar do apresentador é marcada por uma estrutura pouco convencional, algo que nunca encarou como um drama. “Sou filho de pais separados, neto de avós separados, sejam maternos como paternos, e sobrinho de todos os tios separados. E era uma altura em que muito pouca gente se separava. Portanto, o conceito de família, que eu até chego a invejar, de 30 pessoas numa noite de Natal, nunca tive”.

Ainda assim, destaca o papel fundamental da mãe, Maria de Lourdes, que tudo fez para que nada lhe faltasse: “Tratou-me sempre bem, ao jeito dela. A sua morte, há dois anos, fez-me descobrir algumas facetas muito interessantes, e a idade deu-me um outro olhar sobre as pessoas. Hoje entendo a minha mãe como possivelmente não a terei entendido nalgumas fases da vida”. Um amor que, embora discreto, ficou eternizado de forma especial: “Ela tinha de trabalhar duro para que nada nos faltasse [ao apresentador e ao irmão, Carlos], para além do amor. Um amor talvez envergonhado, mas que depois se verbaliza numa carta que ela me deixou, e que eu li após a sua morte, no dia do funeral”, recordou.

Foi também através da mãe que conheceu um dos momentos mais marcantes da sua história familiar. “Ela assumiu que, quando se separou do meu pai, tinha duas hipóteses, e pensou em suicidar-se connosco. É uma coisa muito cruel, mas temos que imaginar o que era a separação judicial. O divórcio é uma conquista do 25 de Abril”, lamentou, acrescentando que a progenitora optou pela segunda opção. “Decidiu lutar por nós, e eu seria o homem da casa”, revelou, explicando a forma como isso moldou a personalidade de Maria de Lourdes: “Foi uma mãe muito protetora. Recordo-a pujante, algo distante, não era afetuosa. Mas, hoje, descubro uma mãe que não soube experienciar o amor em abraços, em afetos, em ‘amo-te’, mas que depois me deixou uma carta”.

Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Impala
 

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