João Perry Vive perto da praia e não quer voltar a representar

Aos 85 anos, aquele que é um dos atores mais consagrados do país trocou Lisboa pelo mar e cortou com tudo. Fonte próxima do ator revela à NOVA GENTE que Perry tem recusado todos os convites para regressar à representação.

Há quem diga que a reforma é o fim. Para João Perry, parece ser o início de uma fase completamente diferente. O ator, que durante mais de seis décadas encheu palcos, ecrãs e salas de cinema, decidiu, a determinada altura, que já chegava. Deixou Lisboa, trocou a cidade pelo mar e foi viver para a calma do litoral, a cerca de 50 quilómetros da capital.

Antes de o mar entrar na equação, houve um aviso que o artista, de 85 anos, levou a sério. Durante as representações da peça O Pai, no Teatro Aberto, em Lisboa, em 2017, sofreu um ataque isquémico que poderia ter sido fatal caso tivesse evoluído para um AVC. O episódio foi detetado a tempo, mas deixou marcas e lições. Pouco mais de um mês depois, já a segurar o seu terceiro Globo de Ouro nas mãos, Perry falou com os jornalistas sobre o que tinha vivido. Admitiu que tinha “exagerado muito no trabalho” e que havia dois anos e meio que não fazia férias, “fazendo a vida estúpida de viver só em espetáculo e não viver o tempo”. Disse-se, também, totalmente recuperado, pois o ataque tinha sido “detetado a tempo e muito avisado”, mas acrescentou que “a idade faz apressar mais as coisas, pois há menos tempo”. E comparou a sua relação com o trabalho à de um alcoólico com o álcool: “A pessoa pode deixar de beber, mas depois fica sempre a memória de como desligar. É uma adição. Eu gosto imenso de trabalhar, é uma coisa perversa talvez, mas gosto.”

E foi mais longe: “Prefiro isso ao isolamento e ao silêncio, porque isso mantém-nos vivos.” Palavras que contrastam com o rumo que a sua vida tomou desde então. Nos meses seguintes, Perry foi-se afastando dos projetos e, depois, da própria cidade. A mudança para perto do mar não foi tornada pública, conta-nos agora uma fonte próxima do ator. A mesma adianta-nos que o artista tem recusado os convites que lhe chegam para trabalhar, recolhendo-se numa vida pacata, longe da representação. As propostas continuam a chegar, porque o seu nome continua a ter peso no meio artístico, mas a resposta tem sido invariavelmente “não”.

 

Leia a matéria na íntegra na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

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Texto: Inês Neves; Foto: Arquivo Impala. 

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