U2 em pé de guerra: Novas músicas atacam Putin e políticas de imigração (ICE)
A banda irlandesa U2, liderada pelo carismático Bono Vox, volta a usar a música como arma política. No mais recente capítulo da sua longa história de ativismo, o grupo lançou temas que visam diretamente o regime de Vladimir Putin e as polémicas agências de imigração dos EUA.
Os U2 nunca foram apenas uma banda de rock; foram, desde o primeiro dia, uma plataforma para mensagens sociais e políticas. Recentemente, o grupo voltou a agitar as águas com o lançamento de novas interpretações de clássicos e temas inéditos que não poupam críticas aos atuais líderes mundiais e a instituições controversas.
O alvo dos U2: Vladimir Putin e a guerra na Ucrânia
Bono e The Edge têm sido vozes ativas no apoio à Ucrânia. No álbum Songs of Surrender (2023), a faixa “Walk On (Ukraine)” é um exemplo claro dessa postura. Originalmente escrita para Aung San Suu Kyi, a letra foi reescrita para homenagear a resistência ucraniana, com versos que condenam a tirania russa.
Mas o ativismo não ficou pelo estúdio. Em fevereiro de 2024, durante a residência na futurista Sphere, em Las Vegas, Bono interrompeu o espetáculo para uma homenagem emocionante a Alexei Navalny, o opositor de Putin que morreu numa prisão russa. “Aparentemente, Putin nunca diria o seu nome. Então, as pessoas que acreditam na liberdade devem dizê-lo”, gritou Bono perante uma plateia de 18 mil pessoas.
Críticas ao ICE: A questão da imigração
Além da política externa, os U2 voltaram-se para os problemas internos dos Estados Unidos, especificamente as políticas do ICE (Immigration and Customs Enforcement). Em novas composições e manifestações ao vivo, a banda critica a forma como os imigrantes são tratados nas fronteiras, traçando paralelos com a própria diáspora irlandesa.
A música torna-se, assim, um manifesto contra a “desumanização” dos que procuram uma vida melhor, um tema que Bono já tinha explorado em álbuns anteriores, mas que ganha agora uma nova urgência.
O ativismo dos U2 na última década
2017: Lançamento de Songs of Experience, com fortes críticas ao populismo e ao Brexit.
2022 (Maio): Bono e The Edge realizam um concerto surpresa numa estação de metro em Kiev, em sinal de solidariedade.
2023 (Março): Lançamento de Songs of Surrender, onde 40 músicas são reinventadas, incluindo “Walk On (Ukraine)”.
2023 (Setembro): Estreia de “Atomic City”, um single que celebra Las Vegas mas mantém o tom de crítica social latente.
2024 (Fevereiro): Homenagem a Navalny e críticas diretas a Putin durante os concertos na Sphere.
Outros casos de ativismo na música
A postura dos U2 não é única, mas é das mais persistentes. Outros artistas têm seguido o exemplo:
Roger Waters (Pink Floyd): Conhecido pelas suas críticas acérrimas a diversos governos, embora com contornos que muitas vezes geram mais polémica do que consenso.
Green Day: Recentemente alteraram a letra de “American Idiot” para criticar o movimento MAGA de Donald Trump.