Portugal integra comissão para rever recrutamento de novos polícias timorenses

Portugal e a Austrália vão ajudar a rever o concurso de recrutamento de novos elementos para a Polícia Nacional de Timor-Leste, disse hoje o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, após a suspensão do processo na quarta-feira por falta de credibilidade.

Portugal integra comissão para rever recrutamento de novos polícias timorenses

“Vamos criar uma comissão composta pela nossa própria polícia, pela Guarda Nacional Republicana (GNR) de Portugal e também pela Polícia Federal Australiana (AFP)”, afirmou o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, aos jornalistas, após o encontro semanal com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio Presidencial, em Díli.

O Governo suspendeu quarta-feira o concurso de recrutamento de novos agentes da polícia para “assegurar a transparência, a legalidade e a credibilidade do processo de recrutamento, tendo em conta as dúvidas e preocupações manifestadas por candidatos e por diversas entidades quanto ao cumprimento de alguns requisitos e à regularidade de determinadas fases do concurso”.

O executivo determinou também a reestruturação da Comissão de Monitorização e Fiscalização, com a integração de elementos independentes nacionais e internacionais, e a realização de uma revisão exaustiva de todas as fases do concurso.

Segundo Xanana Gusmão, aquela comissão vai analisar “cuidadosamente as falhas existentes” durante 20 dias para que depois o Governo possa decidir sobre a repetição ou não do processo.

Dezenas de jovens candidatos ao concurso realizaram, na segunda-feira, um protesto junto ao Palácio do Governo, exigindo o cancelamento do processo de recrutamento, alegando favorecimentos.

A organização de direitos humanos HAK, o Fórum das Organizações Não Governamentais de Timor-Leste (FONGTIL) e a Hali ba Dame (HABADA) também pediram o cancelamento do recrutamento dos 400 novos cadetes da PNTL, alegando favoritismo familiar.

No Parlamento Nacional, o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), liderado pelo primeiro-ministro Xanana Gusmão, bem como as bancadas da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin) e do Partido da Libertação Popular (PLP), manifestaram preocupação com o processo de recrutamento e apelaram ao Governo para ter em consideração as preocupações dos jovens.

A Polícia Nacional de Timor-Leste abriu vagas para 400 cadetes e candidataram-se milhares de jovens.

DPYF // CAD

By Impala News / Lusa

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