Autoproclamado pastor queniano acusado de mais 52 mortes ocorridas em 2025
Um autoproclamado pastor de uma seita religiosa, acusado da morte de centenas de fiéis em 2023, vai ser acusado por mais 52 mortes ocorridas no ano passado no Quénia, anunciou hoje o Ministério Público.
O queniano Paul Nthenge Mackenzie, detido desde abril de 2023 e já acusado de homicídio, homicídio involuntário e radicalização, no primeiro processo, foi novamente acusado por factos que terão provocado a morte de pelo menos 52 pessoas, indicou o MP queniano na rede social X.
O MP já tinha indicado, a 26 de janeiro, que “existem indícios razoáveis contra Mackenzie, considerado o instigador e supervisor da prática das infrações, tendo utilizado ensinamentos radicais para atrair vítimas para o local isolado de Binzaro”.
Quando o caso de Shakahola começava a perder impacto e o Quénia acreditava que a seita tinha desaparecido, um fiel escapou, em julho, da zona de Binzaro, onde, segundo afirmou, alguns dos seus filhos tinham morrido.
Em Binzaro – uma pequena localidade situada a cerca de 30 quilómetros da floresta de Shakahola, onde ocorreu o primeiro massacre – cerca de 34 cadáveres e 102 partes de corpos em vários estados de decomposição foram exumados ao longo de vários meses, a partir de julho de 2025.
Durante a sessão de hoje, oito pessoas compareceram em tribunal, entre as quais Mackenzie e a alegada instigadora do segundo massacre, Sharleen Temba Anido.
Os arguidos foram acusados de participação em atividade criminosa organizada, radicalização, cumplicidade em ato terrorista e homicídio involuntário.
De acordo com o MP, entre janeiro e julho de 2025, os Mackenzie e Anido eram membros de uma seita religiosa radicalizada que colocava em risco a vida dos seus fiéis, provocando a morte de pelo menos 52 pessoas em Binzaro.
Declararam-se inocentes e deverão voltar a tribunal a 04 de março.
O caso Shakahola, de onde foram exumados 450 restos mortais, provocou um forte trauma num país maioritariamente cristão, onde proliferam pequenas Igrejas evangélicas com escassa supervisão.
As vítimas terão seguido o autoproclamado pastor para a região da floresta e foram incitadas a jejuar até à morte para “encontrarem Jesus” antes do “fim do mundo”, anunciado para esse ano.
NYC // JMC
By Impala News / Lusa