Dois bombeiros feridos no combate ao incêndio na Galeria Zé dos Bois
Dois elementos do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa ficaram feridos no combate ao incêndio que deflagrou no domingo à noite no Bairro Alto e, pelas 09:50, continuavam em observação no Hospital S. José, segundo fonte da corporação.
De acordo com a fonte, os dois bombeiros ficaram com queimaduras de primeiro e segundo graus nos braços e pernas. O fogo deflagrou numa das salas do primeiro andar do edifício da Galeria Zé dos Bois (ZDB), espaço de produção cultural conhecido da cidade de Lisboa.
Segundo disse no domingo à noite um dos elementos da direção da associação cultural, a estrutura do edifício não foi danificada e o espaço onde deflagrou o incêndio, um bar, vai reabrir em breve. A ZDB está instalada no Bairro Alto desde 1997.
A ZDB é um dos centros culturais mais emblemáticos e influentes de Lisboa, funcionando como associação sem fins lucrativos dedicada à criação e promoção da arte contemporânea. Situada no coração do Bairro Alto, no histórico Palácio Baronesa de Almeida, é um espaço multidisciplinar que acolhe artes visuais, música, teatro, dança e cinema.
A história da Galeria Zé dos Bois
Fundada em 1994, a ZDB não é apenas uma galeria de arte tradicional, mas um ecossistema criativo. Com cerca de 2.500 m², o edifício abriga salas de exposições, estúdios de artistas, o famoso terraço com vista para o rio e o ‘Aquário’ – sala de concertos e performances que se tornou mítica pela sua programação alternativa e eclética. O nome é uma homenagem ‘aportuguesada’ ao artista alemão Joseph Beuys.
Evolução
A história da ZDB começou por iniciativa de um grupo de jovens artistas (cerca de 15 fundadores, incluindo Natxo Checa, o atual diretor) que sentiam a necessidade de criar as suas próprias ferramentas e espaços de exibição, fora dos circuitos institucionais da época.
Primeiros anos: Começou na Rua da Vinha (Bairro Alto), passou pelo Cais do Sodré e pelas Janelas Verdes.
Fixação no Bairro Alto: Entretanto, estabeleceu-se no número 59 da Rua da Barroca, onde recuperou o património arquitetónico do Palácio Baronesa de Almeida.
Legado: Ao longo de 30 anos, a ZDB tornou-se porto seguro para a experimentação e para artistas de culto nacionais e internacionais (como Thurston Moore, Animal Collective ou João Maria Gusmão & Pedro Paiva), consolidando-se como um pilar da cultura independente em Portugal.