João Baptista A primeira entrevista ao lado da namorada, Vanessa Figueiredo [Exclusivo]
Não tem aparecido em nenhum projeto de ficção, mas não se pense que é por falta de vontade ou que esteve parado. Em cena com a peça A Ratoeira, em exibição até 1 de fevereiro, o ator conta o que tem feito, apresenta a sua cara-metade, fala da filha e do que aprendeu após as polémicas em que se viu envolvido.
O novo ano começou recentemente. Em termos pessoais e profissionais, como é que correu 2025?
João Baptista – Foi um ano que me ensinou muita coisa. Eu levo para mim sempre o positivo que as coisas nos dão. O que não é tão bom acaba sempre por ser uma aprendizagem. E faço um balanço positivo. Encontrei a pessoa da minha vida ainda em 2024 e digamos que em 2025 consolidámos a nossa relação. Foi um ano feliz.
Continua em cena com a peça A Ratoeira, que está prestes a chegar ao fim. Quem ainda quiser ir ver tem de apressar-se?
J.B. – Sim, venham, venham. A aderência tem sido imensa e vamos estar à vossa espera. Esta peça brilhante é da Yellow Star Company e está em exibição no Centro Cultural Malaposta, em Olival Basto (Odivelas). Apesar do nosso Rui de Carvalho nos fazer muita falta, continuamos em exibição até dia 1 de fevereiro.
E como é estar em palco com o Ruy de Carvalho?
J.B. – Para mim tem sido uma honra muito grande pisar o mesmo palco que ele. Ganhei uma afinidade muito grande com o Ruy de Carvalho. Eu chamo-lhe avô, só para terem uma noção do carinho que tenho por ele.
E o que é que vem a seguir?
J.B. – Agora estou apenas focado n’ A Ratoeira. Eu gosto de levar as coisas com calma. Sou muito profissional, dedico-me de corpo e alma ao que estou a fazer. Em relação a novos projetos, há coisas das quais se falam, que estão em cima da mesa, mas eu não gosto de falar antes do tempo. até porque não há nada ainda em concreto. Logo, eu prefiro focar-me no que estou a fazer agora. Posso dizer que tenho um projeto em mãos com a Vanessa [a namorada], mas ainda não podemos falar. (risos)
É a Vanessa que trata da sua assessoria. Como é trabalhar com a namorada?
J.B. – É bom. É prazeroso.
É aquele tipo de assessora que não o deixa brincar?
J.B. – Ela é um bocado general, é pois. É general. Mas eu lido muito bem com isso. Eu acho que somos os dois alfa. E eu como macho alfa, tenho a noção que ela também conduz muito bem. A minha escolha é deixar que seja ela a conduzir.
Vanessa, diga-nos de sua justiça. Como é trabalhar com o João?
Vanessa Figueiredo – Acabou por acontecer. Somos namorados, eu trabalho na área e comecei a ajudar o João nesse sentido porque acho que ele precisava. E como é uma coisa que eu gosto de fazer, acabámos por juntar o útil ao agradavel. Mas acho que trabalhamos bem. Temos mais ou menos as mesmas ideias e quando não temos, temos que ter. (risos)
Além disso, e para quem não a conhece, é apresentadora de um programa na RTP África.
V.F. – Sim, continuo a apresentar o meu programa na RTP África e, mais recentemente, investi num negócio, um projeto embrionário que abriu recentemente. Eu e a minha sócia temos um café-pastelaria com fabrico próprio, em que servimos almoços e ao fim de semana temos o brunch, e é uma coisa muito diferente, porque dentro do café, temos um centro de estética. Chama-se Viana Concept, fica em Belas (Sintra), e deixo aqui o convite para todos os leitores da NOVA GENTE irem conhecer.
E com a sua formação e experiência na RTP África, não surgiu ainda nenhum convite para outro canal?
V.F. – Ainda não, mas estou aberta a convites, estou há vários anos na RTP e acho que já preciso de um novo desafio.
O que gostava de fazer em televisão?
V.F. – Entretenimento. Acho que tenho flexibilidade para isso. Sou bem disposta, divertida, penso que seja mais a minha praia. Mas claro que não descartaria outro tipo de programa.
Papel que gostava de desempenhar? “Uma drag queen”
Depois de A Ratoeira terminar, vai descansar e tirar uns dias de férias?
J.B. – Sim, estou a precisar de férias. Vamos viajar os dois. Vamos até Moçambique ter com os nossos familiares e desfrutar do calor. Já estamos cansados deste frio. E a minha Vanessa, coitadinha, ela vai sempre passar o Natal e o aniversário lá e este ano não foi para estar aqui comigo.
Além do teatro, o ano passado teve outros desafios. O que andou a fazer?
J.B. – Sim, fiz uma série, Favàritx, em Espanha, em Menorca, depois fomos a Valência, estivemos no Porto, porque é uma coprodução luso-espanhola. Foi uma experiência maravilhosa.
Qual era o seu personagem?
J.B. – Era um dos maus, os portugueses na série eram os vilões. Eu e o Pepê Rapazote. foi uma experiência gira também, os espanhóis ficaram encantados com o meu trabalho e eu levo recordações boas.
É um dos seus objetivos, abrir portas ao mercado internacional?
J.B. – Porque não? Eu estou aberto a propostas e quando alguma fizer sentido para ambas as partes, lá estarei. O ano passado também participei numa novela que teve muito êxito no Brasil, Mania de você, gravei cá, no Norte, e foi muito giro. Participei também no filme Páteo da Saudade, do Leonel Vieira, e tenho parceria com a Zov e vou fazendo algumas locuções, voz off. Não parei.
Se surgisse agora um convite para entrar numa novela, que papel gostava de desempenhar?
J.B. – Uma drag queen. Pelo desafio, acho que era fantástico.
Alguma vez foi convidado para entrar num reality show?
J.B. – Não deixaram de haver convites para reality shows e eu nunca aceitei. Mas deixo sempre tudo em aberto. Ainda há muito pouco tempo recusei, por isso, para já, acho que continuo a dizer não.
Mas o teatro não paga contas, pois não?
J.B. – Eu tenho uma máxima: cinema, paixão, teatro, religião, novelas, ganha pão.
E é uma pessoa poupadinha, com os pés assentes na terra e que sabe que hoje tem trabalho, mas para o mês que vem pode não ter?
J.B. – Eu ainda vivo com algum dinheiro que ganhei de projetos antigos. Já ando aqui há 26 anos, são 26 anos de carreira, já sei o que é esta luta artística.
Nestes 26 anos, houve períodos sem trabalho, de maior instabilidade, em que tenha passado por necessidades?
J.B. – Sim, acho que todos os atores passaram por isso. Aqui em Portugal é impossível não acontecer. Infelizmente. Há muito a fazer ainda a nível de governo, em relação a apoios… Há tudo a fazer, aliás.
É um cidadão que vai às urnas exercer o seu direito de voto?
J.B. – Sim, claro. Eu confesso que vou a pensar que o nosso voto não conta para nada, que eles mandam naquilo tudo, mas eu faço o meu dever e vou sempre votar.
“Tenho uma filha para criar”
Voltando à questão financeira, a nível de gastos, tem luxos, vícios, com os quais perde a cabeça e não pensa no valor que vai pagar por eles?
J.B. – Eu gosto muito de jantar fora. Gosto muito de ser servido. Não gosto só de gastar dinheiro para ir a um espaço bonito, e não é só pela comida, mas pelo excelente serviço, pela forma como sou recebido. Como é óbvio, vou para comer bem também. Eu acho que quando pago, é para não ter trabalho em casa. Porque eu sei cozinhar muito bem e a Vanessa também. Também gosto de roupa. Mas tudo isto com muito juízo porque eu tenho uma filha para criar.
Fale-me um bocadinho da sua filha, a Maria Clara.
J.B. – Está com seis anos, está a crescer a uma velocidade incrível. Já está no primeiro ano, a aprender a ler, faz-me sentir cada vez mais velho. Sabes que é nas crianças que nós vemos que o tempo passa? É incrível. Cada mês que passa ela fica maior, mais comprida, mais inteligente, mais adultinha. A fazer mais companhia. Eu aprendo muito com a minha filha. Eu aprendo com a minha filha todos os dias.
E que tipo de pai é?
J.B. – Eu e a mãe da minha filha temos uma relação muito boa, somos muito amigos, o que facilita muito as nossas vidas. Eu nunca tive uma relação com a mãe dela. Aconteceu. E eu costumo dizer que a minha filha foi o melhor acidente da minha vida. Ela vive comigo, sou eu que tomo conta dela e ela está com a mãe aos fins de semana ou quando ela quiser. O importante é a menina estar feliz. É ela estar bem e equilibrada a nível emocional. Mas respondendo à tua pergunta, sou eu que educo por isso eu sou quem diz não, a mãe deixa-a fazer tudo. (risos).
E que relação tem a Maria Clara com a Vanessa?
J.B. – Muito boa. Ela está sempre a perguntar quando é que casamos.
Aproveito e faço a mesma pergunta. Quando é que casam?
J.B. – Agora acho que fiquei surdo (risos). Penso que o casamento pode vir a existir, mas eu confesso que até hoje sempre olhei para o casamento como uma espécie de contrato. De posse um pelo outro e isso não me seduz.
Mas se pensar que é uma festa para celebrar o amor tira esse peso de cima.
J.B. – Sim. Principalmente, porque sinto que encontrei a pessoa da minha vida.
E a Vanessa pensa no casamento?
J.B. – Nunca foi um sonho. Mas penso no casamento porque gosto de festa. O nosso casamento tinha que ser ou uma grande festa e convidar toda a gente, ou então só com os amigos íntimos e irmos todos viajar para um sítio paradisíaco.
João, como é que define a Vanessa? O que é que ela trouxe à sua vida?
J.B. – Neste meu crescimento pessoal, a Vanessa deu-me serenidade, estabilidade emocional, companheirismo. A Vanessa disse-me a coisa mais romântica que eu já ouvi. “Meu amor, cuida de ti que eu cuido de nós”. E cuida… Nós cuidamos um do outro. Somos muito amigos.
E o que é que o João trouxe à vida da Vanessa?
V.F. – Muita coisa. Para já, o João é uma pessoa super bem-disposta, super de bem com a vida, apesar dos problemas que tem como toda a gente. É super-romântico. Ele ensinou-me a amar. É um companheiro e um bom amigo.
Sei que gostavam de ser pais. Como é que está esse projeto?
J.B. – Está… a correr. Nós estamos a viver agora a nossa relação. Com calma, pode ser que sim.
V.F. – Eu, na verdade, nunca quis ser mãe. Mas ao lado do João já começo a pensar que isso pode acontecer. Ele é um bom pai, tem uma relação ótima com a filha e acaba por me despertar qualquer coisa. Não é nada planeado e se tiver que acontecer, acontece.
Um sonho em comum que queiram realizar em breve?
J.B. – Gostávamos, principalmente, de conseguir concretizar os projetos que temos em mãos. Depois, ter uma casa com piscina e vista para o mar na Linha do Estoril também não era má ideia… (risos)
Texto: Neuza Gomes; Fotos: Zito Colaço/Impala