Manuel Marques Especialista analisa desenhos da filha: “Sugerem um conflito…”

Maria João Cunha avalia arte de Inês Marques após a jovem acusar o pai, Manuel Marques, de violência doméstica.

Manuel Marques Especialista analisa desenhos da filha:

Em maio de 2025, Manuel Marques foi acusado de violência doméstica pela filha, Inês Marques, de 18 anos. O caso encontra-se ainda sob investigação pelo Ministério Público. No entanto, a arte da acusante, partilhada na sua página de Instagram, tem sido analisada em detalhe e até aplaudida por António Machado, que colabora com o pai da alegada vítima na rubrica “Portugalex” da Antena 1.

Maria João Cunha, mestre em Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Aconselhamento, revelou ao site Dioguinho que “os desenhos revelam uma jovem com elevada intensidade emocional e forte autofocalização, traduzida na repetição insistente de autorretratos, na fragmentação e sobreposição de rostos e na ausência de uma imagem identitária unificada.”

“Este padrão expressivo é compatível com um processo identitário em curso, marcado por auto-observação constante, questionamento do próprio ‘eu’ e dificuldade em integrar, de forma estável, diferentes dimensões da identidade. A ênfase reiterada nos olhos sugere hipervigilância emocional e sensibilidade acentuada ao olhar e à avaliação do outro, traço frequentemente associado a contextos relacionais percebidos como inseguros“, explicou.

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“As distorções faciais e corporais sugerem um conflito…”

Maria João Cunha apontou ainda que “a denúncia de violência por parte da figura paterna constitui um elemento clinicamente relevante, enquadrando estes indicadores como respostas adaptativas a um ambiente vivido como ameaçador ou imprevisível.”

“O traço gráfico rápido, impulsivo e reiterado, com múltiplas correções e escassa organização espacial, aponta para tensão psíquica significativa, pensamento emocionalmente carregado e necessidade de descarga interna, funcionando o desenho como instrumento de autorregulação”, acrescentou.

A arte de Inês Marques poderá conter mensagens subliminares sobre as acusações. “As distorções faciais e corporais sugerem um conflito com a autoimagem e dificuldade em integrar emoções, corpo e identidade, frequentemente observáveis em jovens expostas a experiências de violência intrafamiliar.”

“Globalmente, trata-se de uma produção expressiva coerente com uma personalidade sensível e criativa, em processo de elaboração de vivências traumáticas, sem que, por si só, permita estabelecer qualquer diagnóstico psicopatológico, antes revelando um esforço ativo de simbolização e reorganização do mundo interno. E ainda com sentimentos de culpa quando ela diz que espera que não a vejam como narcisista”, concluiu.

Texto: Luís Sigorro; Fotos: Impala/Redes sociais

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