IHRU diz que não há dinheiro para concluir Programa Especial de Realojamento

O presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) alertou hoje, no parlamento, para uma “dificuldade orçamental” que impede a conclusão do Programa Especial de Realojamento (PER), referindo que há ainda cerca de três mil famílias por realojar.

IHRU diz que não há dinheiro para concluir Programa Especial de Realojamento

Lisboa, 01 fev (Lusa) — O presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) alertou hoje, no parlamento, para uma “dificuldade orçamental” que impede a conclusão do Programa Especial de Realojamento (PER), referindo que há ainda cerca de três mil famílias por realojar.


“Desde 2009, em resultado dos fortíssimos constrangimentos orçamentais com que o Estado português se confrontou, as dotações disponíveis para executar o remanescente do programa PER desapareceram, ou seja, deixou de haver dinheiro para poder assegurar o financiamento desta situação, problema que, aliás, persiste até este momento”, afirmou o presidente do IHRU, Vítor Reis.


O dirigente falava no âmbito de uma audição parlamentar sobre a situação dos moradores desalojados do Bairro 6 de Maio (Amadora), em conjunto com o Instituto da Segurança Social (ISS).


“Estamos perante uma dificuldade orçamental”, reforçou, sublinhando que o financiamento do PER depende de dotações provenientes do Orçamento do Estado.


Lançado em 1993, o programa visa proporcionar aos municípios das Áreas Metropolitanas (AM) de Lisboa e do Porto condições para erradicarem barracas e para realojarem as famílias em habitações de custos controlados.


Segundo Vítor Reis, o PER integra 19 municípios da AM de Lisboa e nove municípios da AM do Porto.


Na fase inicial, o recenseamento contabilizou “48.416 famílias a viver em construções precárias ou barracas, que estavam abrangidas pelo processo de realojamento”.


“Dos 48.416 alojamentos a realojar, foram realojados 34.494”, informou o presidente do IHRU, de acordo com o último ponto de situação, que é de maio de 2013, altura em que o PER fez 20 anos.


A falta de dados mais recentes deve-se ao facto de Câmaras Municipais terem deixado de fazer o recenseamento, advogou o responsável.


Nessa altura, “faltava realojar 3.301 famílias” e tinha havido saídas e desistências de 10.621 agregados familiares.


De acordo com Vítor Reis, as 3.301 famílias que estavam por realojar distribuíam-se por cinco municípios da AM de Lisboa e quatro municípios da AM do Porto, pelo que “todos os restantes municípios tinham concluído a execução do PER”.


Entre os municípios que não tinham concluído o PER na AM de Lisboa encontravam-se Almada (760 agregados familiares por realojar), Amadora (1.187), Loures (309), Odivelas (107) e Seixal (144), já na AM do Porto eram Maia (375), Matosinhos (396), Espinho (20) e Póvoa de Varzim (3).


No âmbito do futuro do PER, os grupos parlamentares do BE, CDS-PP, PSD e PCP apresentaram quatro projetos de resolução para avaliação e atualização do programa, das necessidades habitacionais e das medidas de apoio às famílias sem habitação.


A 05 de janeiro, o Governo anunciou que vai promover um estudo, até ao final de 2017, sobre as carências habitacionais existentes em Portugal, envolvendo municípios e regiões autónomas, com o objetivo de “garantir o acesso de todas as famílias a uma habitação condigna”.


“Em função dos resultados do estudo, se a dimensão do problema o exigir, será ponderada uma resposta extraordinária. Essa resposta poderá passar pelos programas de realojamento já existentes no atual quadro legal, nomeadamente o PER e o Programa de Financiamento para Acesso à Habitação (PROHABITA)”, revelou à Lusa fonte do Ministério do Ambiente.


Na proposta de Grandes Opções do Plano para 2017, o Governo referiu que pretende “relançar” o PER, bem como o PROHABITA, “através da atribuição de dotações orçamentais”.



SYSM // ROC


By Impala News / Lusa

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